Sífilis pode ser confundida pelo paciente com processo alérgico

Sífilis pode ser confundida pelo paciente com processo alérgico

O número de casos de sífilis vem crescendo no Brasil, de acordo com o Boletim Epidemiológico de Sífilis publicado no ano passado pelo Ministério da Saúde. Em comparação com 2016, houve aumento de 31,8% na incidência de sífilis adquirida, 16,4% na incidência de sífilis congênita e 28,5% na taxa de detecção em gestantes. O primeiro tipo, o adquirido, passou de uma taxa de detecção de 44,1 casos a cada 100 mil habitantes em 2016 para 58,1 a cada 100 mil habitantes em 2017. Em 2010, essa relação era muito menor: 2 casos a cada 100 mil habitantes. O que explica o crescimento da sífilis adquirida ao longo dos anos é o sexo desprotegido, já que a doença é transmitida na relação sexual. Para piorar, a sífilis pode ser confundida pelo paciente com um processo alérgico, o que favorece o agravamento da doença.

“A forma que temos de diferenciar a sífilis de um processo alérgico é por meio do exame de sorologia, que indica a existência no sangue da bactéria Treponema pallidum, causadora da doença”, diz a dermatologista Luciana Cattini, que faz parte do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês. A primeira lesão, também chamada de sífilis primária, é geralmente indolor e aparece depois de dois ou três dias do contágio como se fosse uma úlcera na área genital ou na boca. Na sequência, ainda segundo a doutora, que possui título de especialista em dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e pela Associação Médica Brasileira (AMB), o paciente desenvolve, em um período de quatro a seis semanas do contágio, lesões pelo corpo que parecem um processo alérgico, com manchas vermelhas podendo comprometer palmas e plantas.

Nessa etapa, chamada de sífilis secundária, as lesões não costumam coçar e regridem de forma espontânea. “É aí que está o perigo, pois o paciente, que não procurou o médico e não fez, portanto, a sorologia, tende a acreditar que curou, que não há mais nada. Só que, em até 30% dos casos, a doença evolui para a sífilis terciária, a fase mais grave que pode comprometer uma série de órgãos, como olhos, coração e cérebro. Há possibilidade de morte”, finaliza.

Esse quadro de maior complexidade instala-se com facilidade em pacientes com imunodepressão, ou seja, com déficit de imunidade. Trata-se de um estado de deficiência do organismo para responder normalmente aos agentes agressores. É observado em certas doenças como AIDS e câncer.

A sífilis congênita, que, como vimos, também está em alta no Brasil, é transmitida da mãe para o bebê em qualquer fase da gestação ou no momento do parto. Ela pode causar má-formação do feto e até mesmo a morte, além de aborto espontâneo. Geralmente, porém, os seguintes sintomas aparecem durante os primeiros meses de vida do bebê: feridas no corpo, cegueira, pneumonia e alterações nos ossos e no desenvolvimento mental.

Tratamento

Para tratar a sífilis, algumas doses de penicilina são suficientes. Caso a doença seja diagnosticada no primeiro ano, a cura se dá com duas injeções de benzetacil. Caso o diagnóstico só venha mais tarde, a recomendação é que o paciente seja medicado com penicilina cristalina, uma versão mais forte do antibiótico. Nesse caso, são duas injeções por glúteo em três doses semanais. Esse procedimento impede inclusive a passagem da bactéria da grávida para o bebê.

Quanto antes for diagnosticada a sífilis, melhor para o paciente, que pode curar muito mais rápido e sem complicações. Como a sífilis pode ser confundida com um processo alérgico, a orientação é consultar um dermatologista, profissional que está devidamente habilitado a dar o diagnóstico correto. 

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