Cosméticos sustentáveis: quais são e por que optar por eles?

Cosméticos sustentáveis: quais são e por que optar por eles?

Uma prática positiva entre os dermatologistas é recomendar o uso dos cosméticos sustentáveis, que, nos últimos anos, vêm ganhando espaço no mercado. Há quatro tipos: natural, orgânico, vegano e cruelty free. Embora não haja regulamentação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para nenhum deles, os naturais e orgânicos estão sendo cobertos por certificações que atestam sua composição. O consumidor deve estar atento aos rótulos desses produtos, que, caso sejam certificados, apresentam os selos do IBD Certificações e da Ecocert. 

“Na anamnese [conversa inicial com o paciente], percebo, a partir dos hábitos de alimentação e do estilo de vida, a importância para o paciente que os cosméticos não tenham sido testados em animais e que seus ativos sejam naturais ou orgânicos. Diante disso, preparo a receita, utilizando alguns cremes nessa linha e outros não”, diz a doutora Luciana Cattini, especialista em dermatologia pela SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia) e pela AMB (Associação Médica Brasileira). Ainda de acordo com a médica, esse balanceamento é importante porque, em geral, os cremes sustentáveis não produzem modificações tão significativas para clareamento de manchas e melhora da textura da pele como aqueles que contêm ácidos e substâncias em concentrações maiores para efeitos de descamação e despigmentação. Os cremes com ácido retinóico, por exemplo, são importantes para a eficácia do tratamento que será recomendado pelo dermatologista. 

Pesquisa divulgada em outubro do ano passado pela consultoria Nielsen descobriu que a sustentabilidade está entre as três maiores preocupações para 32% dos brasileiros. Mais de 7 milhões de lares no país declararam ter hábitos e atitudes sustentáveis. Esses consumidores são responsáveis por 18,2% do faturamento da categoria de Higiene e Beleza. Para os cosméticos cruelty free, naturais e veganos, a sustentabilidade aparece como fator preponderante para a decisão de compra. Nesses casos, o preço é menos importante na decisão, já que o consumidor está consciente sobre a necessidade de contribuir com o meio ambiente. 

Uma análise assinada pela Persistence Market Research (PMR), uma empresa de pesquisas, aponta que o mercado global de cosméticos naturais deve chegar a US$ 22 bilhões até 2024. Se esse número se confirmar, o ritmo de crescimento seria impressionante: 8,8% ao ano. Como o estudo foi realizado antes da pandemia do novo coronavírus, é provável que essa porcentagem não se confirme, ainda que o otimismo em relação a esse mercado continue o mesmo.

Diferenciando os cosméticos sustentáveis  

1) Cosméticos naturais

Os cosméticos naturais não contêm compostos de origem sintética como corantes, fragrâncias ou conservantes. Não são, portanto, formulados a partir de derivados do petróleo, como silicone e óleos minerais, nem de compostos geneticamente modificados. Outra característica: não podem ser testados em animais. Na maioria dos casos, as matérias-primas são biodegradáveis ou pouco poluentes.

De acordo com o IBD Certificações e a Ecocert, as matérias-primas permitidas nos cosméticos naturais são manteigas e óleos vegetais, lanolina, corantes e pigmentos naturais, óleos essenciais, extratos vegetais, minerais e polímeros naturais.

2) Cosméticos orgânicos

Os cosméticos orgânicos, seguindo exigências do IBD Certificações e da Ecocert, devem ter no mínimo 95% de matérias-primas orgânicas. Os métodos do sistema orgânico de produção aperfeiçoam o uso de recursos naturais e socioeconômicos. 

Uma das preocupações é com a sustentabilidade não apenas dos recursos empregados como também da mão de obra utilizada na cadeia de produção. Lembre-se de que um cosmético natural não é necessariamente orgânico, mas um produto orgânico é, sim, sempre natural.    

3) Cosméticos veganos

Esses cosméticos não têm ingredientes de origem animal, como mel, leite, cera de abelha, lanolina e colágeno, que, muitas vezes, são encontrados nos cosméticos naturais. Os animais também não são usados para testes dos produtos veganos.

4) Cosméticos cruelty free

Sem crueldade. Livre de crueldade. Não foram feitos testes em animais durante a fabricação desses cosméticos. Isso não quer dizer que, nos cosméticos cruelty free, não haja matérias-primas de origem animal em sua composição. Sendo assim, para quem não quer envolvimento animal, a melhor escolha é o vegano.

Cosméticos sustentáveis, assim como sintéticos, podem causar reações 

O dermatologista, da mesma forma que ocorre com os cosméticos sintéticos, deve ser consultado sobre a utilização dos sustentáveis. “Assim como os sintéticos, os cosméticos sustentáveis podem causar uma série de irritações ou alergias na pele. A cera de abelha é um ativo natural que pode gerar reações”, observa Luciana.

Pesquisa publicada no British Journal of Dermatology constatou, entre os anos de 2007 e 2018 em países europeus como Alemanha, Áustria e Suíça, aumento de 68% nos casos de dermatite de contato provocada pela cera de abelha, um ativo natural cada vez mais usado nos cosméticos. Entre outros benefícios, essa cera tem alto poder emoliente, conferindo hidratação de longa duração à pele. Por falar em hidratação, leia post sobre como escolher hidratante que escrevemos aqui no blog.

Também é de conhecimento que as plantas das espécies de árvore aroeira, cajueiro e mangueira podem causar eczemas de contato. Já salsinha, arnica, hibisco e arruda, quando manipuladas sob o sol, podem provocar fitofotodermatites. Por fim, plantas decorativas como verbena e imbé, assim como hortaliças como cebola e alho, podem desencadear dermatites.

Os cosméticos sustentáveis estão em franco crescimento. Como os sintéticos ou convencionais, eles exigem o acompanhamento do dermatologista. Fique à vontade para entrar em contato conosco!

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