Como é a proteção natural da pele contra vírus, bactérias e fungos?

Como é a proteção natural da pele contra vírus, bactérias e fungos?

Se o corpo fosse um exército, como aqueles convocados para uma batalha que são retratados com riqueza de detalhes nas séries e nos filmes, a pele faria parte da linha de frente, do primeiro pelotão. Assim como nas formações militares, cuja posição dos soldados é estratégica, a pele foi designada para fazer a defesa inicial do organismo, servindo como barreira para a entrada de vírus, bactérias e fungos. A proteção natural da pele cria uma série de dificuldades a fim de impedir que esses micro-organismos acessem nosso corpo. O objetivo é evitar de todas as formas que eles cheguem à corrente sanguínea. “A pele faz parte do sistema de defesa, daquilo que chamamos de imunidade inata, a que nasce com a gente”, explica a doutora Luciana Cattini, que possui título de especialista em dermatologia pela SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia) e AMB (Associação Médica Brasileira). 

A estrutura é feita para responder com eficácia a essas invasões. Os pelos, além de serem importantes para a regulação da temperatura, protegem contra danos dermatológicos, como cortes e picadas de inseto, facilitando ainda o processo de secreção (dinâmica do suor, por exemplo). Já a chamada barreira lipídica é uma camada de gordura, de oleosidade, formada por secreção produzida pela glândula sebácea. Essa barreira é composta principalmente por ceramidas (lipídios que mantêm a integridade, nutrição e hidratação dos fios e da derme), ácidos graxos, colesterol, além de fatores de hidratação natural como aminoácidos e glicerol. 

Caso o vírus, fungo ou bactéria ultrapasse essa camada mais superficial, encontrará bactérias que vivem na nossa pele. Essas bactérias, que também contribuem para a proteção natural da pele, integram o microbioma, conjunto de micro-organismos que habita nosso corpo e que faz parte dessa estrutura de proteção imunológica. Se ainda assim os micro-organismos externos forem capazes de transpor o microbioma, uma última resistência formada por células da epiderme e da derme fará a proteção natural da pele, ainda com aquele objetivo de evitar a chegada do invasor à corrente sanguínea ou de manter a infecção localizada. 

Atenção para as mãos e os pés

A barreira lipídica de proteção está em todo o corpo, com exceção das mãos e dos pés. No momento atual de pandemia do novo coronavírus, em que fazemos higienização constante das mãos, a tendência é de aumento do ressecamento da pele dessa região. Como a película de proteção é deficitária, por não haver glândula sebácea nas mãos, a fragilidade da pele fica evidente.

“O sabonete ideal, para higienização não apenas das mãos como do rosto e do corpo, é o líquido, de preferência o syndet, que é feito com detergente sintético, com pH mais próximo ao da pele. Entre outros benefícios, esse sabonete restaura os lipídios perdidos, hidratando a pele”, recomenda Luciana. “Se estiver na rua, por exemplo, e não for possível lavar as mãos com água e sabonete líquido syndet, a orientação é utilizar álcool em gel medicinal, que contém glicerina, amenizando a ação química provocada na pele”, complementa.

Pele dos bebês não tem película de proteção

A glândula sebácea começa a se desenvolver somente a partir da adolescência. Por esse motivo, existe muita preocupação com a pele dos bebês quanto à desidratação e a processos inflamatórios, porque ainda não há essa película de proteção, essa oleosidade natural. Por falar nesse assunto, escrevemos post que demonstra a importância da dermatologia para gestantes. Clique aqui para acessar!

Os idosos, principalmente a partir dos 70 anos, sofrem com alterações nessa película. Com o tempo, a taxa ideal de água diminui, o que reduz a flexibilidade da pele, assim como sua espessura, e aumenta danos causados pelo chamado estresse mecânico (quando alguém segura suavemente o braço do idoso, por exemplo, mas ainda assim, como a pele está frágil, ela acaba rasgando).

Outras funções da pele 

Há outros papéis desempenhados pela pele, como o de ação antioxidante, o de regulação da temperatura, o de reconhecimento do ambiente externo e o de realização da síntese da vitamina D, que influencia positivamente na imunidade. 

Por meio da exposição solar, principalmente dos raios do tipo ultravioleta B, nossa pele produz a vitamina D3, que é precursora da vitamina D. E tem mais: a pele reflete nosso estado emocional e demonstra como estamos levando nossas vidas – de forma saudável ou não –, indicando, portanto, a necessidade de mudar hábitos que sejam nocivos para a saúde, como o tabagismo e o consumo excessivo de álcool.

A proteção natural da pele é uma defesa importante do organismo. O que achou do texto? Surgiu alguma dúvida ou quer deixar um comentário? Fique à vontade! 

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