Como a tecnologia auxilia o dermatologista a identificar o câncer de pele?

Como a tecnologia auxilia o dermatologista a identificar o câncer de pele?

A tecnologia é uma aliada poderosa do dermatologista na identificação do câncer de pele. De acordo com o INCA (Instituto Nacional de Câncer), o câncer de pele não melanoma é o mais frequente no Brasil e corresponde a cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país. Em 2018, a estimativa do INCA, já que os números ainda não foram fechados, é de 85,1 mil novos casos entre os homens e 80,4 mil entre as mulheres desse tipo de câncer, o que totaliza 165,5 mil novos casos. Já em relação ao mais grave, o melanoma, ainda segundo o INCA, a projeção é de pouco mais de 6 mil casos, considerando ambos os sexos. No câncer de pele não melanoma, as chances de cura são muito altas – mais de 90% – desde que a doença seja descoberta no início.

Com o auxílio da tecnologia, o dermatologista pode oferecer um diagnóstico completo e ágil, duas características que são imprescindíveis para vencer o câncer. Nesse trabalho, o objetivo principal deve ser confirmar se as pintas, também chamadas de nevos, são benignas, ou seja, se elas são lesões que não correm risco de evoluir para tumores malignos. A dermatoscopia digital é um exame moderno que consiste na obtenção de fotografias digitais de alta resolução dessas pintas, facilitando a visualização das características de cada uma delas, como suas estruturas e profundidades.

“Esse exame permite que eu diagnostique algumas lesões sem a necessidade de biópsias ou intervenções cirúrgicas”, diz a doutora Luciana Cattini, que possui título de especialista em dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e pela Associação Médica Brasileira (AMB). “Por meio da comparação das imagens feitas pela dermatoscopia digital, pude evitar a evolução para o câncer de muitas lesões, que possuem aparência benigna, mas que estão, na realidade, em fase de transformação para o cenário maligno”, complementa. A dermatologista costuma comparar as diferenças entre um exame clínico isolado e o exame dermatoscópico como a mesma existente entre uma foto e um filme. “Comento com meus pacientes que a dermatoscopia digital é o filme porque, devido ao seu dinamismo, dá todas as possibilidades para que eu faça uma avaliação precisa sobre a conduta médica adequada. No exame clínico, tenho um retrato estático que não evidencia por completo a situação”, finaliza.

Empoderamento do paciente

A tecnologia não vem melhorando apenas o diagnóstico e o tratamento do câncer de pele. O MoleMapper é um aplicativo para smartphone que estimula o monitoramento da saúde das pintas pelo próprio paciente. Desenvolvido pelos dermatologistas da Universidade de Ciência e Saúde de Oregon, nos Estados Unidos, o app possibilita que os pacientes compartilhem as imagens e as informações sobre suas pintas com a instituição de ensino.

“Nós estamos fornecendo um serviço que permite às pessoas acompanhar a saúde da sua pele e, caso queiram, autorizar que nossa instituição saiba também a aparência dessas pintas como parte de um projeto de pesquisa”, disse o professor e chefe de dermatologia da Universidade de Ciência e Saúde de Oregon, Sancy Leachman, que também é diretor do programa de pesquisa de melanoma do Instituto de Câncer Knight, em entrevista à revista Dermatology World, edição de junho, uma publicação mantida pela AAD (American Academy of Dermatology). “Queremos identificar quais são as características das pintas que deixam as pessoas preocupadas e esperamos que as pessoas nos digam se elas foram removidas ou não”, afirmou.

Desde a atualização mais recente do MoleMapper em dezembro do ano passado, quase 5 mil usuários instalaram o aplicativo, o que resultou em 10 mil análises de pintas, de acordo com o doutor Leachman. Felizmente para a pesquisa, 25% dos que instalaram o app consentiram com o compartilhamento dos seus dados. “Estamos realizando estudos com base nessas informações. É comum inclusive convidarmos os usuários a participar de pesquisas cujas respostas nos dão insumos valiosos”, finalizou Leachman.

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